Como trabalhamos
Verdade verificável, não opinião.
A metodologia abaixo é o contrato público entre o Fluxo de Fatos e quem nos lê. Nada do que publicamos passa ao ar sem cumprir cada uma das etapas descritas — e qualquer leitor pode acionar o canal de retificação caso identifique falha.
O Fluxo de Fatos é uma redação independente, sem vínculo partidário, religioso ou corporativo. Não aceitamos publicidade de governos, partidos, empresas com causas em tramitação no Congresso ou instituições financeiras. A receita vem de assinantes, doações de pessoas físicas e bolsas de fundações que financiam o jornalismo investigativo.
Cobrimos política brasileira com ênfase em verificação de fatos e escrutínio do Poder Legislativo — em particular onde a desinformação de massa tem como alvo movimentos sociais, populações vulneráveis e instituições democráticas.
Fontes e evidências
Toda checagem parte de uma fonte primária verificável: documento público, sentença judicial, planilha governamental, gravação autenticada, registro oficial em vídeo ou imagem de satélite. Quando a fonte é privada — contrato, mensagem, áudio — exigimos pelo menos duas confirmações independentes.
- Documentos governamentais são obtidos por LAI, Diário Oficial ou portal de transparência — nunca de terceiros sem cadeia de custódia.
- Imagens, áudios e vídeos passam por análise técnica (metadados, geolocalização, conferência espectral) antes de virarem evidência.
- Fontes anônimas são usadas apenas quando há risco real de retaliação e a informação não pode ser obtida de outra forma. Cada uso é aprovado pela editoria.
- Bases de dados próprias são publicadas como anexo em CSV aberto sempre que isso não fere a Lei Geral de Proteção de Dados.
Processo de verificação
Cada checagem passa por três pares de olhos: o repórter responsável, um segundo verificador independente e a editoria. Para fact-checks, exigimos contato com a fonte da afirmação antes da publicação — ainda que ela se recuse a responder, o pedido fica registrado.
- O verificador independente refaz, do zero, todo o caminho da evidência. Não basta confiar no repórter; é preciso reproduzir.
- Se há divergência entre os dois, abrimos uma terceira rodada com a editoria. A publicação fica suspensa enquanto a divergência existir.
- Não publicamos antes de cumprir o protocolo — mesmo que percamos a corrida do furo.
Escala de vereditos
Usamos quatro selos. Não há gradação intermediária — uma afirmação é classificada como o que ela de fato é, sem amenizadores. Quando uma declaração tem partes verdadeiras e falsas, escolhemos o veredito que melhor descreve o todo da informação que chega ao leitor.
- Verdadeiro
Verdadeiro
A afirmação corresponde aos fatos e ao contexto em que foi feita. Pode haver detalhes secundários inexatos sem alterar a substância.
- Falta contexto
Falta contexto
O dado citado existe, mas foi retirado de seu contexto original ou omite informação essencial para a compreensão pública.
- Impreciso
Impreciso
Há partes verdadeiras misturadas a erros relevantes — números arredondados a favor da tese, datas erradas, atribuições incorretas.
- Falso
Falso
A afirmação contradiz fatos verificáveis ou se baseia em premissas que não se sustentam. Inclui invenção total e distorção grosseira.
Correções e retificações
Erros acontecem. Como reagimos a eles é o que mede a seriedade da redação. Toda matéria mantém, no rodapé, um histórico completo de alterações — com data, hora e descrição do que foi corrigido.
- Pedidos de retificação podem ser enviados ao canal de retificação com a evidência que sustenta o pedido.
- Toda contestação formal recebe resposta da editoria em até 72 horas úteis, ainda que para informar que mantemos a versão original.
- Quando a correção afeta o veredito de um fact-check, abrimos chamada explícita no topo da matéria por 30 dias e reenviamos aos veículos que republicaram.
- Notas falsas que nos atribuírem afirmações que não fizemos são denunciadas publicamente.
Independência editorial
A linha editorial não é negociável. Nem por anunciantes, nem por financiadores, nem por simpatias políticas pessoais da equipe. Publicamos contra quem precisar ser publicado contra — incluindo aliados naturais — quando os fatos exigirem.
- Recusamos doações superiores a 20% do orçamento anual de qualquer fonte única; o limite vale para indivíduos, empresas e fundações.
- Publicamos relatório de transparência financeira em janeiro de cada ano, com o nome de cada doador acima do limite divulgado.
- Repórteres declaram conflitos de interesse antes de cada cobertura. Vínculos partidários, religiosos ou familiares com fontes são bloqueio automático.
- Não recebemos verbas publicitárias de governos em qualquer nível, partidos políticos, instituições financeiras nem grandes empresas com causas no Congresso.
Equipe e remuneração
Os contratos da redação são públicos, com piso definido em assembleia da equipe e divulgado no relatório anual.
- Repórteres recebem para apurar, não para publicar. Não há bonificação por tráfego, viralização ou número de matérias por mês.
- Garantimos prazo mínimo para fact-checks complexos e para investigações com cruzamento de bases de dados.
- Editorias têm autonomia total dentro do orçamento aprovado; conflitos editoriais sobem para um conselho editorial formado por jornalistas externos à redação.
Quer ver o método na prática? Abra o painel de votações e cruze cada placar com o histórico dos parlamentares, ou comece pelo guia votação explicada.